A Festa de São Brás é realizada há mais de 300 anos em Trancoso, na Bahia, que era inicialmente uma aldeia jesuíta. Sua origem está vinculada às missões jesuíticas que catequizaram os povos indígenas e introduziram a devoção a santos católicos, como São Brás. A celebração combina catolicismo popular, ritos indígenas e práticas afro-brasileiras, perceptíveis nos símbolos, músicas e elementos rituais, como os mastros, tambores e a tradicional Dança do Marimbondo. A festividade acontece no Quadrado de Trancoso, um espaço histórico e sagrado para a comunidade, onde está localizada a Igreja de São João Batista, construída pelos jesuítas. Ao longo do tempo, a festa incorporou aspectos das culturas africana e indígena, resultando em um sincretismo rico e único. Ao longo dos séculos, a festa passou por várias transformações, principalmente com a chegada do turismo na década de 1970. Antes restrita à comunidade local, hoje ela atrai visitantes de diferentes partes do Brasil e do mundo. Apesar das influências externas, os moradores de Trancoso têm resistido à descaracterização da celebração, preservando rituais essenciais como a busca do mastro, o Samba de Couro e a bênção das gargantas. São Brás, que viveu no século III e foi bispo de Sebaste, ficou conhecido por suas curas milagrosas, especialmente relacionadas a problemas de garganta. Médico de formação, ele morreu decapitado em 316 d.C., durante a perseguição aos cristãos no Império Romano. A tradição da bênção das gargantas tem origem em um milagre atribuído ao santo, quando ele salvou um menino que estava sufocando com uma espinha de peixe presa na garganta. Os festeiros, moradores antigos e respeitados, são selecionados para organizar a festa. Responsáveis pela coordenação das atividades, eles arrecadam recursos, mobilizam voluntários e garantem que cada detalhe seja planejado cuidadosamente. Os três dias que antecedem a festa são dedicados a orações, missas e rezas em homenagem a São Brás, como preparação espiritual para a celebração principal. A festa começa na noite de 2 de fevereiro, com o Samba de Couro, onde moradores e visitantes dançam e cantam ao som de tambores que evocam ritmos africanos e indígenas. Após o Samba de Couro, à meia-noite, têm início os shows musicais, que se estendem até o amanhecer. No dia 3 de fevereiro, às 5 horas da manhã, acontece a busca do mastro, um dos eventos mais emblemáticos. Em procissão ao som do Samba de Couro, os participantes entram na mata para cortar a árvore que será utilizada no ritual da tarde. A árvore escolhida simboliza a conexão entre a terra e o céu e, após ser derrubada, o tronco é levado em cortejo até o artista local Valquito Lima, que, seguindo os passos de seu avô Licínio Alves, pinta os mastros usados nas festividades. As cores e os símbolos retratados representam promessas e histórias dos festeiros. Ao meio-dia, todos se reúnem no Quadrado, em frente à “Casa das Festas Tradicionais do Povo de Trancoso”, uma fundação que desempenha um papel central nas celebrações. Nesse momento, é servido gratuitamente um almoço comunitário, cujas refeições são preparadas pelos próprios moradores, fortalecendo os laços da comunidade. Às 16 horas ocorre a missa principal, seguida de uma procissão pelo Quadrado Histórico. Os fiéis carregam imagens de São Brás e velas, pedindo proteção contra doenças. Após a procissão, chega o momento mais esperado: o mastro já pintado e decorado com fitas e bandeiras votivas é erguido em frente à igreja. Durante a subida, há queima de fogos e cânticos tradicionais. O mastro simboliza a força espiritual e a continuidade da tradição. O último rito da festa é a Dança do Marimbondo, uma performance folclórica que celebra a união entre a natureza e os homens. A Festa de São Brás transcende o caráter religioso, representando a identidade cultural e a memória coletiva de Trancoso. Por meio de seus rituais, músicas, danças e símbolos, a celebração mantém viva uma tradição secular. É um espaço de resistência cultural, onde a comunidade reafirma suas raízes frente às transformações turísticas e urbanísticas que impactam a região. Ao preservar o mastro, o Samba de Couro e os festeiros, os moradores de Trancoso não apenas reverenciam São Brás, mas também perpetuam sua própria história e identidade. 🔝GOSTOU DESSAS DICAS? NOS SIGA NAS REDES SOCIAIS!
FESTA DE YEMANJÁ EM ARRAIAL D’AJUDA | PORTO SEGURO | BAHIA | BRASIL
As Festas de Iemanjá acontecem simultaneamente em diversos estados do Brasil e são celebrações cheias de espiritualidade e cultura, são realizadas anualmente no dia 2 de fevereiro, e se tornaram uma tradição nacional. Além dos rituais religiosos, as festas geralmente contam com apresentações culturais e shows musicais, promovendo a valorização das tradições afro-brasileiras e a conexão com a natureza. É um evento que une fé, cultura e turismo, destacando a riqueza da nossa herança cultural. A devoção a Iemanjá transcende as barreiras religiosas e é um símbolo da resistência afro-brasileira. As celebrações em sua homenagem são momentos de afirmação da identidade preta e de combate ao racismo religioso, promovendo o respeito e a valorização das tradições de matriz africana no Brasil. Além disso, as festividades são grandes atrações turísticas, movimentando a economia local com a chegada de visitantes, fomentando a venda de artesanato, as apresentações culturais, o comércio local e as vendas de passeios na cidade, trazendo mais qualidade de vida para as famílias locais que vivem do turismo. Iemanjá é uma Orixá, uma divindade presente nos cultos afro-religiosos no Brasil, originalmente tem raízes na cultura iorubá na África, onde era reverenciada como a deusa dos rios, entretanto, com a diáspora africana e o tráfico de escravizados para o Brasil, seu culto foi adaptado e sofreu algumas alterações, ao longo dos anos. Para entender essas adaptações, primeiramente temos que entender a sutil diferença entre as diversas religiões e cultos de matrizes africanas que são praticadas no nosso país, sendo as religiões mais conhecidas a Umbanda e o Candomblé. Muito da popularização desta Orixá deve-se a Umbanda e ao sincretismo religioso que foi criado pelos escravos como única alternativa para manter viva a sua cultura religiosa. Os escravos ao serem batizados e catequizados, associavam as características dos Santos Católicos com as características do seus orixás Africanos, usando das imagens dos Santos Católicos muitas das vezes para esconder no interior dos mesmos os elementos da natureza referente aos seu orixá, como pedras e outras coisas que tornavam aquela imagem um ponto de representação de sua fé, ainda que de forma velada. Em cada lugar do Brasil, foram feitas associações de Yemanja diferentes como Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Glória e Virgem Maria, essas associações ou sincretismos como chamamos, fizeram a popularidade da Orixá crescer de forma exponencial em todo território nacional, Iemanjá é uma das divindades mais veneradas no Brasil, sendo cultuada de norte a sul e em outros lugares do mundo. No candomblé que é uma religião genuinamente Brasileira, não africana como muitos pensam, Iemanjá como já dissemos, era um orixá do Rio, mas filha de Olokum, esse sim, senhor ou senhora dos oceanos. Durante o período da escravidão, os escravos eram trazidos de diversos pontos da África, sendo na maioria das vezes afastados de todos seus famíliares, já em terras Brasileiras se organizavam em grupos, porém, cada um trazendo consigo sua história e religiosidade da sua região, nesta perspectiva, surge o Candomblé, uma comunidade de escravos e ex escravos de diversas áreas e regiões da África que se uniram para professar sua fé em um culto singular que nasceu no Brasil. Nesta organização, muitos orixás do Panteon africano não foram incorporados ao candomblé ou simplesmente desapareceram com o tempo, pois as tradições eram passadas principalmente de forma oral, como no caso do Olokum que seria na África O ou A Orixá dos oceanos. Um boa percepção para entender a diferença entre o Candomblé e a Umbanda é que, nas cidades principalmente, os escravos tiveram a necessidade de buscar o sincretismo para professar sua fé, enquanto que em outras localidades mais ruais, ligadas às fazendas e agricultura, os escravos conseguiram se organizar e manter o seu culto de forma mais autêntica, não sincretizando os orixás a Santos e católicos e mantendo o idioma Iorubá como linguagem religiosa. Iemanjá tem um grande papel nestas religiões, pois é conhecida como a Mãe dos Orixás e ligada diretamente a criação, representa a maternidade, a fertilidade, o equilíbrio emocional, espiritual e psicológico das pessoas. é reconhecida como a “Mãe de Todas as Cabeças” (Iyiá Ori) A Iemanjá foi confiada a responsabilidade de cuidar das cabeças (ori) dos seres humanos, Ela é vista como a protetora das mulheres, especialmente das grávidas, e das crianças, simbolizando a essência da maternidade e a capacidade de gerar e nutrir a vida. Além disso, Iemanjá é considerada padroeira dos pescadores e marinheiros, zelando por aqueles que dependem do mar para sua subsistência. A festa de Iemanjá em Arraial D’Ajuda é uma celebração vibrante e cheia de energia, mesmo com seu caráter religioso a festa se tornou um evento cultural de grande destaque, a festa atrai turistas e moradores que celebram a diversidade e a vitalidade das tradições afro-brasileiras, é um verdadeiro encontro de fé, cultura e comunidade que reforça a identidade única de Arraial D’Ajuda. A concentração começa na Praça São Brás, bem em frente à igreja de Nossa Senhora D’Ajuda em um momento emocionante, onde o “povo de santo” se reuniu em volta do andor de Iemanjá, ao som dos atabaques começam ali às reverências ao Orixá, onde os filhos de Santo dançam ao som dos atabaques, espalham água de cheiro, fazem defumações e colocam suas cabeças ao chão, em sinal de reverência a Iemanjá e ao Babalorixá presente. Na Bahia em particular, o sincretismo é refletido em um ato de muito amor e integração entre as religiões, após a concentração o andor e a imagem da orixá e seus fieis, os filhos de santo, são recebidos com acolhimento dentro da Igreja de Nossa Senhora d’Ajuda em um momento singular, onde o padre e Babalorixá José Luís Candeias, do ilê de Xapanã compartilham suas bênçãos em um gesto de respeito mútuo e união religiosa, com cânticos sagrados dos Orixás e as preces católicos como pai nosso e ave Maria. É um símbolo poderoso de integração, onde fé e espiritualidade transcendem as diferenças. Após as bênçãos iniciais, começa a procissão, o andor sai da igreja e percorre
PRAIA DO MUTÁ E SANTO ANDRÉ | PORTO SEGURO | SANTA CRUZ CABRÁLIA | RIO JOÃO DE TIBA | BAHIA
Sejam muito bem-vindos ao PROJETO ENSD, uma mudança de vida em tempo real! Somos Léo e Thiago e juntos estamos construindo um motorhome enquanto viajamos o Brasil e o mundo. Este vídeo é uma super dica de viagem, mostramos um dia inteiro de passeio pela região de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, uma experiência completa para quem vem conhecer a região do descobrimento no Sul da Bahia. Porto Seguro é uma cidade histórica, conhecida por ser o local onde os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, e isso é refletido em seu Centro Histórico, que preserva marcos importantes como igrejas coloniais e o Marco do Descobrimento. Hoje, Porto Seguro é um destino completo que atrai visitantes pela combinação de praias, cultura, gastronomia e vida noturna. A cidade tem um aeroporto bem conectado e uma boa infraestrutura turística, com opções de hospedagem para todos os orçamentos. Desta vez escolhemos iniciar o dia com vocês na Praia do Mutá, que está localizada a aproximadamente 10 km do centro de Porto Seguro, já bem mais próximo a região de Coroa Vermelha. Essa praia é muito procurada por famílias, graças às suas águas calmas e rasas, protegidas por recifes, que são ideais para banho e atividades como stand-up paddle e caiaque. É possível alugar equipamentos no local. A praia possui barracas que oferecem cadeiras, guarda-sois e cardápios que incluem pratos típicos da região. Um bom lugar para aproveitar a Praia do Mutá é a Barraca de Praia Hibisco, que é um dos destaques do local. Ela se diferencia pela organização e pelos serviços oferecidos, opções de refeições com frutos do mar frescos e drinks tropicais. Há também uma boa estrutura para crianças, e o atendimento costuma atrair boas avaliações dos visitantes. Além disso, o espaço conta com programação esporádica de música ao vivo, o que pode ser uma oportunidade para relaxar em um ambiente animado. No vídeo detalhamos bem nossa experiência gastronômica do local e da praia. De lá decidimos Cruzar o rio João de Tiba, no distrito de Santa Cruz Cabrália, em direção a Santo André, um charmoso vilarejo que preserva um estilo de vida tranquilo e cercado pela natureza. Acesso ao local é feito por uma travessia de balsa, que opera regularmente ao longo do dia, com duração de aproximadamente 10 minutos. O vilarejo é conhecido por suas praias quase desertas, ideais para relaxar e caminhar, além de oferecer opções de pousadas e restaurantes que valorizam os ingredientes locais. Santo André ainda guarda a forte presença cultural e histórica da região, que é marcada pelo contato com a comunidade local e pela tranquilidade do ambiente. É um destino ideal para quem busca fugir da movimentação e explorar a beleza intocada da natureza. Após um breve passeio pela Vila, paramos no Restaurante Píer João de Tiba, um dos restaurantes mais recomendados em Santo André. Ele está situado à beira do rio João de Tiba, oferecendo acesso direto para quem chega de barco ou balsa. O cardápio foca em frutos do mar e pescados frescos, preparados com técnicas regionais. É uma boa escolha tanto para um almoço descontraído quanto para um jantar à luz do entardecer, com vistas do rio e da vegetação ao redor. Para fechar o dia, partimos para o centro de Porto Seguro, para conhecer o Acarajé da Jaque, um ponto obrigatório para quem deseja experimentar a autêntica culinária baiana. Localizado na Avenida dos Navegantes, esquina com a Rua Cidade Faffi, o local é conhecido por servir acarajés frescos e bem recheados, com opções de Abará e outras comidas típicas. O espaço é simples, mas muito bem avaliado por moradores e turistas, que destacam o sabor autêntico e o atendimento acolhedor. Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e seus arredores oferecem experiências diversificadas que combinam história, cultura e lazer. Aproveitar o dia na Praia do Mutá, explorar o charme de Santo André, saborear uma refeição no Restaurante Píer João de Tiba e experimentar o famoso acarajé da Jaque são apenas algumas das opções que tornam a região tão especial para os visitantes. Assista essa experiência completa lá no canal e diga pra gente! Eae gostou desse rolê na região do descobrimento? 🔝GOSTOU DESSAS DICAS? NOS SIGA NAS REDES SOCIAIS!
PRAIA DE TAÍPE – ARRAIAL D’AJUDA | PORTO SEGURO | BAHIA | BRASIL
A Praia de Taípe é perfeita para quem gosta de praias mais desertas e tranquilas. Com poucas barracas e uma longa faixa de areia branca, é um lugar ideal para relaxar, tomar sol e aproveitar o mar. Além do mar, a praia conta com o Rio do Taipé, um rio rodeado de manguezal, onde você pode se refrescar e relaxar. Para os mais aventureiros, a Praia de Taipé oferece atividades como caminhadas, mergulho no mar e até mesmo parapente, proporcionando vistas panorâmicas das falésias e da paisagem ao redor. Arraial d’Ajuda, onde a Praia de Taipé está localizada, é um destino encantador com ruas de paralelepípedos, casinhas coloridas e um clima acolhedor. A cidade oferece uma variedade de restaurantes, bares e lojas, além de uma vida noturna agitada. Porto Seguro, a cidade vizinha, é famosa por sua rica história e cultura vibrante. É um dos destinos turísticos mais populares do Brasil, conhecido por suas praias paradisíacas, festas animadas e o famoso Centro Histórico, onde se encontra o Marco do Descobrimento. A melhor época para visitar a Praia de Taípe é durante a estação seca, de setembro a março, quando o clima é quente e ensolarado, como a praia é mais deserta e possui poucas barracas, é recomendado levar água, lanches, protetor solar e um guarda-sol. Taipé é acessível tanto a pé quanto de carro, mas esteja preparado para estradas de terra e bastante poeira no caminho. O Arraial oferece diversas opções de hospedagem, desde pousadas charmosas até hoteis mais sofisticados. O Gaia Eco Glamping, localizado próximo à Praia de Taípe, é uma excelente opção para quem busca uma experiência de hospedagem sustentável e ecológica. Outras curiosidades sobre a Praia de Taípe, é que devido a ser uma praia mais distante, algumas pessoas praticam naturismo no local, a região também é conhecida por ser palco de festivais e eventos culturais, atraindo turistas do mundo todo. O nome “Taípe” vem do tupi-guarani e significa “Caminho do Rio”, uma referência ao Rio do Taípe que deságua na praia. A Praia de Taípe é um paraíso, uma combinação perfeita de tranquilidade, aventura e beleza natural. Se você está planejando uma viagem para o sul da Bahia, não deixe de incluir a Praia de Taípe no seu roteiro e explorar as maravilhas de Arraial d’Ajuda e Porto Seguro.
AYAHUASCA COM OS ÍNDIOS PATAXÓS | INSTITUTO ALMAS LIVRES | ARRAIAL D’AJUDA | PORTO SEGURO | BAHIA
A Ayahuasca é uma bebida milenar sagrada, conhecida por seu poder de cura e expansão da consciência. Oriunda dos povos originários da Amazônia, essa bebida foi consumida durante séculos por essas comunidades para fins cerimoniais, espirituais, curativos e religiosos, havendo relatos de seu consumo entre povos Maias e Incas. A Ayahuasca é feita a partir de dois vegetais: o cipó chamado Jagube (Banisteriopsis caapi) e a folha chamada Rainha (Psychotria viridis). A combinação desses dois vegetais favorece a produção e absorção de uma substância chamada DMT pelo organismo, facilitando sua chegada ao cérebro. Ao falar de Ayahuasca, não podemos deixar de mencionar o Santo Daime e o Sr. Raimundo Irineu Serra, um descendente de escravos que fundou uma religião genuinamente brasileira e difundiu a medicina sagrada da Ayahuasca para o mundo inteiro. Raimundo Irineu Serra, ou Mestre Irineu, nasceu no Maranhão, filho de ex-escravos. Ele nunca teve acesso à escola e teve uma infância humilde. Aos 19 anos, por volta de 1912, mudou-se para o Acre em busca de melhores condições de vida e entrou para o “Exército da Borracha”, grupos de imigrantes que foram para a Amazônia trabalhar na extração de látex nos seringais. Nesse contexto, Irineu teve seu primeiro contato com os mistérios da Ayahuasca no território da Amazônia peruana, com xamãs locais que o iniciaram nesses mistérios. Em uma de suas experiências com a bebida, Mestre Irineu teve a visão de uma deusa que descia da Lua, e essa deusa entregou ao seringueiro todos os ensinamentos para a criação de uma doutrina afro-indígena que sintetizava a cultura dos povos originários, brasileiros, africanos e orientais. A partir desse encontro entre uma divindade feminina, um homem negro e uma bebida mágica ancestral de origem indígena, a Ayahuasca foi rebatizada como Daime. Mestre Irineu então passou a combinar o consumo ritual da Ayahuasca com elementos de outras tradições espiritualistas, incluindo o catolicismo popular brasileiro, a espiritualidade indígena, o esoterismo europeu e as religiosidades afro-brasileiras, dando origem, nos anos de 1930, a uma filosofia original conhecida hoje como Santo Daime. A comunidade fundada por Irineu Serra cresceu e está presente em pelo menos 43 países de todos os continentes habitados. De Montevidéu até Berlim, passando por Nova York e Jerusalém, e chegando até o Japão. Não há como falar em Ayahuasca sem mencionar Mestre Irineu. Foi através do Santo Daime que diversos grupos sociais, inclusive povos indígenas, passaram a conhecer essa bebida sagrada. Muitos grupos e movimentos surgiram a partir da doutrina deixada pelo Mestre. O Instituto Almas Livres também segue os ensinamentos de Irineu e, em seu centro cerimonial Flor D’Ajuda, sob a condução de Vitor Vitti Porto, traz toda essa experiência em cerimônias espirituais com a Ayahuasca e outras medicinas da floresta. Nesta cerimônia que participamos, fizemos uma vivência com Ayahuasca fora dos moldes da religião do Santo Daime. Foi um ritual mais livre, onde também tivemos o prazer de experimentar a medicina do Rapé, uma mistura de cascas de árvores e folhas de tabaco que, ao serem trituradas, se tornam um pó administrado por meio de inalação ou soprado pelas vias aéreas por outra pessoa com um aplicador. Além disso, também tivemos a presença do grupo jovem da tribo Pataxó de Aldeia Velha em Arraial D’Ajuda, o que tornou a experiência ainda mais enriquecedora e culturalmente significativa. E você? Participaria de uma vivência com essas medicinas da floresta?
GAIA ECO GLAMPING E INSTITUTO ALMAS LIVRES | PORTO SEGUR0 | ARRAIAL D’AJUDA | BAHIA
Finalmente pegamos a estrada! Nossa aventura não poderia começar em um lugar melhor. Vamos iniciar essa road trip pelo incrível Estado da Bahia, mais precisamente em Japara, Arraial D’Ajuda, Porto Seguro. Saímos do Rio de Janeiro e pegamos a BR 101. Percorremos aproximadamente 1000 quilômetros até Eunápolis, onde acessamos a BR 367 e posteriormente a BA 001 até nosso primeiro destino. Fizemos esse trajeto em dois dias, pernoitando o primeiro dia no Espírito Santo, próximo a Guarapari, no Posto Tigrão. Já no segundo dia, escolhemos o posto CNA em Mundaí, Bahia. Gostamos de fazer os trajetos com calma, curtindo cada trecho da estrada. Afinal, viajamos levando nossa casa atrás, então não temos pressa nenhuma de chegar. Neste primeiro momento da viagem, ainda precisaremos de algum apoio e estrutura, pois, como dissemos, nossa casa não está totalmente pronta. Exatamente por esse motivo, escolhemos o Instituto Almas Livres e o Gaia Eco Glamping para esse momento tão especial. Esses destinos são cheios de atrações turísticas, oferecem uma estrutura incrível para nos dar apoio e proporcionam uma paz que não tem como descrever. O Instituto Almas Livres é um centro de desenvolvimento do ser humano, biocentrado, ou seja, centrado na vida, na integração do ser e na sua relação com a natureza e a sociedade. O instituto foi fundado em 2020 com a proposta de ser um espaço para vivências, experiências, cerimônias, acolhimento e integração entre as pessoas e a natureza que os cercam. O Projeto Almas Livres foi idealizado pelo artista e terapeuta Vitor Vitti Porto e fundado em parceria com a empresária e terapeuta Vanessa Lima Verde. Vitor é pesquisador das tradições dos povos originários, psicoterapeuta transpessoal e praticante do xamanismo, atuando há mais de 30 anos com diversas cerimônias e tratamentos com as medicinas da floresta e terapias sistêmicas e integrativas. Vanessa Lima Verde é empresária, terapeuta, consteladora sistêmica, aromaterapeuta, formada em medicina Ayurveda na Índia e fundadora da Bem Te Viva, sua marca de biocosmética. O Instituto Almas Livres se divide em seis ramos de atuação principais, formando um hexágono que é expressado e traduzido no logotipo da marca. São eles: Espiritualidade: O Centro Cerimonial Flor D’Ajuda é o espaço sagrado dentro do Instituto Almas Livres. É ali onde acontecem as cerimônias espirituais, como as cerimônias de Ayahuasca, Cacau, Rapé, giras de umbanda e muito mais. Educação: Na Escola do Ser, eles acreditam no potencial das crianças para a construção de um ser humano adulto melhor, mais saudável e com um melhor entendimento de si mesmo. Tudo isso é trabalhado em um espaço de educação complementar, onde as crianças podem passar o dia todo participando de atividades diversas. Saúde: São oferecidos diversos tipos de tratamentos para melhorar a qualidade de vida do indivíduo, seja através das medicinas dos Povos Originários como Kambô, Temazcal, Ibogaína, ou através das terapias holísticas como aromaterapia, cromoterapia, Reiki, massagem, acupuntura, ou ainda com as terapias sistêmicas como a Constelação Familiar. Meio Ambiente: Tudo no Instituto foi construído de forma sustentável e ecológica. Todas as construções foram feitas com o mínimo possível de árvores retiradas do terreno e com materiais reaproveitados, dando destino a materiais que seriam descartados sem serem reutilizados. São realizadas aulas e palestras relativas ao meio ambiente, e o espaço também conta com um projeto de permacultura e reconstrução do solo de forma sustentável e ecológica. Arte: Oficinas de arte e cultura, exposições, vernissages, shows musicais e apresentações são comuns no espaço do Instituto Almas Livres. Hospedagem: O Gaia Eco Glamping é um espaço com chalés e cabanas, construídos de forma sustentável e ecológica, e que também recebe motorhomes e barracas. O espaço atende aos viajantes que vêm participar das atividades do Instituto ou não, oferecendo opções para todos os públicos e bolsos. O Instituto Almas Livres está muito bem localizado, ficando apenas 7 quilômetros do centro, perto das principais praias e pontos turísticos de Arraial D’Ajuda, a uma hora de Trancoso e a menos de 30 minutos de Porto Seguro. Este é o cenário maravilhoso onde iremos dar continuidade às obras de construção do nosso motorhome. Mas não iremos apenas construir; nossa ideia é explorar o máximo possível deste destino tão procurado junto com vocês. Nessa nova etapa de mudança de vida, queremos finalmente voltar a trazer para os nossos seguidores o conteúdo de viagens que eles tanto amam. Por este motivo, o Instituto foi a escolha perfeita, pois é um local em meio à Mata Atlântica, onde os únicos barulhos são os da natureza, proporcionando muita paz, tranquilidade e espaço para terminarmos a construção da nossa casa sobre rodas de forma mais confortável. Para nós, o fato do local ser ao mesmo tempo afastado, mas muito perto dos destinos mais procurados de Arraial D’Ajuda fez todo o sentido. Teremos mais qualidade nos momentos de trabalho e muitos lugares incríveis próximos para conhecer. Além disso, para fechar o pacote, há uma infinidade de experiências para vivenciar dentro das experiências oferecidas pelo instituto. E você? Gostaria de passar um tempo por lá? Chama a gente para conversar e agendar sua experiência.


